o amor acaba
(Paulo Mendes Campos)
(Paulo Mendes Campos)
o amor não está aqui nem está alhures. o amor não tem algo a dizer. não pergunte nada ao amor. não o procure no fundo de nada; ele sempre está na superfície. principalmente não o procure. mas também não espere que se você não o procurar, vai encontrá-lo. não morra de amor. o amor não é uma entidade: não exige respeito nem homenagens. ele não tem autonomia para abater-se sobre quem ele bem quiser, porque ele não é uma coisa em si. ouça. agora mesmo. ele está falando.você escutou? não?
Nem todos os amores são passíveis de se viver fisicamente. Tem muito coração que só entende amor-poesia-surrealista. Nem todo coração devora mesmo querendo devorar. Nem todo coração é passível de amar. Nem todo coração é passível de ser amado. Tem muito coração que só atende ao imaginário. Tem muito coração calado. Tem muito coração ulcerado.
Não tem amor mais triste do que amor de trem, do que amor de rodoviária, amor de aeroporto. Não tem amor mais triste do que o que está sempre se despedindo. Não tem olhar mais profundo do que o que te espera às 13h30 na estação.
- Eu poderia escrever um livro inteiro sobre seus olhos.
(Laís Paiva)
hoje, eu queria ter medo do seu lado, já que é pra ter medo de qualquer maneira. andar pela cidade, de noite, num dia de semana, porque ela fica cheia de vazios e é muito mais legal. hoje eu queria ter um tapete voador (mentira, isso eu quero sempre!), para mandar ele te pegar na sua casa. hoje eu queria te telefonar e conversar a conversa mais besta do mundo, só para o tempo passar com alguma graça. e te escrever cartas de amor ridículas e líricas só para ficar relendo e achar que eu sei escrever coisas ridículas e líricas. hoje eu queria ouvir músicas que você gostasse e eu também, músicas para cortar os pulsos. hoje talvez eu esteja perdido sem pai nem mãe bem na porta da sua casa.
hoje eu queria que você desencavasse minha felicidade bem no meio da minha tristeza para só tratar de desimportâncias. ouvir suas histórias e dar risada e tomar sorvete e quem sabe fazer pipoca. e te achar inteligente e achar que você me acha também.
hoje eu queria pegar a saída 60B para a sua casa e fazer todas as outras brincadeiras que a gente aprendeu ou ainda vai aprender em filmes ruins. eu queria ser uma caixa de sapato all star azul, porque estranho seria se eu não me apaixonasse por você. ou uma lata de coca-cola vazia.
hoje eu queria ser perfume de música que é perfume. e ser notas extensas, um violoncelo da Jacqueline Dupré, ou somente um piano. hoje eu queria ser Roberto Carlos e achar que está tudo certo como dois e dois são cinco. exatamente assim.
hoje eu queria que minha taxa de açúcar no sangue subisse, comendo brigadeiros na chuva. mas hoje fez muito sol e meus olhos lacrimejaram o dia inteiro, porque talvez eu esteja fotofóbico.
hoje eu já vou dormir tarde demais, talvez escutando London, London, só para ficar andando em círculos sem saber para onde ir. cheio de dor silenciosa e felicidade.
trilha sonora
Green Grass, Cibelle
don’t say goodbye to me, describe the sky to me…
(Source: theblackworkshop, via blua)
Direção: Andrea Jabor e Beatriz Sayad. Elenco: César Tavares, Dani Barros, Flávia Reis e Marcos Camelo Produção: Doutores da Alegria Inventário não é um espetáculo “inventado”. É um espetáculo narrado a partir do que os artistas dos Doutores da Alegria viram, viveram, lembraram, sonharam, temeram, reinventaram, inventariaram. O espetáculo, destinado à platéia adulta, é resultado de uma criteriosa pesquisa sobre o palhaço contemporâneo e sua capacidade de intervir e transformar a realidade. Depoimentos comoventes e bem humorados mostram um pouco da insólita experiência de ser palhaço em uma enfermaria pediátrica.